I - Holanda

1. Apresentando o país

        1.1 Características principais

Os Países Baixos, ou Holanda, como é mais conhecido e como iremos tratar neste artigo, está situado na Europa Ocidental e é membro da União Europeia. É o 6º país em termos de potência econômica da União Europeia, o 5º maior país exportador do mundo e um dos principais países a qual o Brasil exporta, possuindo uma boa relação no comércio bilateral.

Possui cerca de 17 milhões de habitantes e uma alta densidade demográfica, a disposição de homens e mulheres é bem equilibrada e a idade média da população é de 43 anos, número que tende a aumentar pois a taxa de natalidade vem diminuindo e a expectativa de vida crescendo, portanto, o percentual de jovens está caindo enquanto o de idosos possui uma crescente.

A moeda utilizada é o euro e a língua falada é o neerlandês, apesar de possui outros dialetos e quase 90% da população possuir boa comunicação com inglês, 70% com alemão e 29% com francês. O sistema governamental do país é uma monarquia constitucional parlamentarista, onde o Rei Guilherme Alexandre possui papel de chefe de estado e Mark Rutte se configura como primeiro-ministro.

1.2 Cultura do país

A Holanda é muito conhecida pela liberdade, de fato, o país é majoritariamente ateu e assuntos considerados tabus no Brasil ou em outros países mais conservadores são amplamente discutidos e tratados com tolerância.

A alimentação no país não possui muita variedade, holandeses comem muito pão e só fazem uma refeição quente por dia, o jantar. Geralmente servido antes das 19h, o jantar conta com legumes e verduras, batatas são muito presentes de diferentes formas e a proteína. No almoço, costumam fazer uma alimentação rápida: pão ou sopa, nem mesmo levam marmita para o trabalho. O pão também está presente no café da manhã. No lanche da tarde, cookie com leite ou chá.

Outras características também são marcantes nos holandeses, como a tomada de decisões baseada em consenso - que possui até mesmo um nome, o Modelo Polder – são práticos e diretos, generosos, pontuais e, como ponto mais importante para nosso objetivo, são preocupados com o meio ambiente. Podemos perceber isso por diversos aspectos: o uso de bicicletas é muito comum no país; por estar situado abaixo do nível do mar, é demandado um esforço da população para que desastres naturais não sejam provocados por maus hábitos; conscientização sobre hábitos alimentares e a relação com empresas que possuem responsabilidade socioambiental está em crescente no país; o foco na tecnologia é expressivo, e utilizam isso especialmente para promover uma economia sustentável

1.3 Aspectos econômicos

A Holanda possui uma grande potência econômica, sendo a 17ª no ranking mundial e o 6º no ranking da UE. Em 2019 (pré-pandemia), o PIB fechou em US$ 922,13 Bilhões, o PIB per capita US$ 59.512 (7º maior do mundo), a inflação foi de 1,9% e o desemprego 3%. O salário-mínimo em 2022 está em € 1.725,00 por mês. É o principal alvo de exportações do Brasil dentre os países europeus e o quarto principal dentre todos do mundo.

Tendo uma economia muito aberta, o mercado é desenvolvido e com muito uso de tecnologia, especialmente na agropecuária, setor muito importante para a economia holandesa no que diz respeito a exportação. Apesar do território ser substancialmente menor, a exportação de produtos do agronegócio da Holanda chega a superar a do Brasil, isso graças ao avançado sistema tecnológico utilizado, além das terras férteis e pela planicidade do país, aumentando a produtividade.

Alguns setores são favoráveis para potenciais empreendedores estrangeiros, como o de produtos orgânicos, comércio eletrônico e negócios online, e outros estão em alta no país, como o de design de interiores, indústria alimentícia e energia renovável.

Uma das vantagens da exportação para a Holanda está na logística: o Porto de Roterdã é um dos maiores do mundo e o maior da Europa, além de possuir o aeroporto de carga com a maior variedade de conexões.

Quando olhamos para índices de qualidade de vida, a Holanda possui ótimos resultados. É considerado o 5º país mais feliz do mundo; o Índice de Desenvolvimento Humano, (que mede renda, educação e saúde) é muito alto, ficando em 9º lugar no ranking mundial e a taxa de analfabetismo é de menos de 1%. No geral, é um país muito desenvolvido onde as pessoas prezam pela qualidade de vida e possuem recursos para isso.

1.4 Aspectos regulatórios

O Ministério das Finanças dos Países Baixos é responsável por toda a parte fiscal do país e seu sistema tributário não é complexo como o brasileiro, além de ser muito atrativo para investidores estrangeiros, estando entre os melhores países para empreender.

Basicamente, os impostos são direcionados para contribuintes residentes da Holanda, onde os impostos recaem sobre bens que estejam tanto dentro do país como fora, e para contribuintes não residentes, cujos impostos recaem apenas sobre rendimentos adquiridos no país e as normas são diferentes. Para os não residentes brasileiros, é importante destacar que ambos os países possuem acordo para evitar a dupla tributação e evasão fiscal.

São três as classes de tributação: sobre lucros (até 49,5%), juros (até 25%) e investimentos (até 30%).

A Holanda possui impostos nacionais, municipais, diretos e indiretos.

Para as pessoas jurídicas, o imposto de renda é dividido da seguinte forma: lucro anual inferior a € 200.000, a alíquota é de 15%. Se superior a este valor, a alíquota vai para 20,5%.

Um dos impostos mais importantes é o BTW (Belasting Toegevoegde Waarde), que incide sobre a circulação de produtos e serviços. A taxa é de 9% para produtos considerados essenciais e 21% para os demais.

Além dos tributos, outros aspectos regulatórios também são relevantes. Existe uma série de exigência para entradas de produtos nos países, como: a via de conhecimento de embarque e fatura comercial (para processos na alfândega), certificado de origem (para alguns produtos específicos), rotulagem correta e verificada pela NVWA (Autoridade de Segurança Alimentar e de Produtos de Consumo), além da inspeção da mesma autoridade para verificação da segurança do produto e o selo CE, equivalente ao Inmetro do Brasil, dentre outras exigências.

2. Oportunidades e riscos de se empreender na Holanda

A exportação agrícola na Holanda é reconhecida mundialmente, atualmente, está em segundo lugar dentre os maiores exportadores do mundo. Sob esse contexto, o investimento em produtos veganos na região tende a ser crescente, tendo em vista de que a abertura de um negócio terá público frequentemente.

Além disso, a sustentabilidade é um grande marco durante a produção do setor, os produtores, em sua maioria, utilizam a técnica da estufa no seu dia a dia, isso faz com que o custo com água e pesticidas sejam menores do que a plantação em solo ao ar livre, esse fator é de extrema relevância tendo em vista de que a área para plantio é escassa.

Em um dos relatórios do conselho do meio ambiente da Holanda (RLI), há indícios sobre a trilha para a transformação no primeiro país vegano, ou seja, fator relevante que devemos considerar no quesito sociocultural e econômico.

No entanto, a falta de autonomia em relação ao solo é um risco inevitável, pois, os custos em relação a construção e manutenção podem afastar determinados perfis de investidores, sob esse viés, a expectativa entre novo modelo de alimentação e cultura podem impactar diretamente no alto consumo.

Outro fato relevante, é o crescimento e espaço para novos investimentos, pois a alta expectativa atrai o mercado gerando alta concorrência na qual quem detém o maior capital, irá dominar o espaço para construção de seu novo empreendimento.

Em suma, o investimento no setor agrícola na Holanda, além de sustentável, consequentemente atrai novos olhares em relação a hábitos saudáveis na qual afetará todo o contexto econômico e ambiental.

3. Mapeamento da concorrência holandesa.

O mercado holandês de produtos alimentícios veganos vem crescendo demasiadamente desde os anos 2000, onde tivemos empresas que se destacaram no cenário nacional e conseguiram expandir as vendas de seus produtos veganos para diversos locais no mundo. Um grande exemplo do sucesso desse mercado na Holanda é a gigantesca empresa The Vegetarian Butcher, que distribui seus alimentos para todos os continentes do globo e tem diversas premiações à nível mundial como pioneira na confecção de carnes feitas à base de plantas. Esse sucesso se deve à fácil adaptação dos holandeses em relação aos alimentos com base vegetal, mas o que possibilitou o crescimento desse mercado no país foram os estudos realizados para melhorar cada vez mais a confecção destes produtos. Com as mudanças climáticas, impactos do aquecimento global e a enorme demanda ocasionada pelo mercado de carnes, a Holanda está se desenvolvendo cada vez mais nesse ramo e pretende se tornar o primeiro país vegano no mundo até 2030.

As concorrentes diretas  têm  um forte mercado vegano baseado especificamente em alimentos como cereais, tubérculos, sementes, cogumelos, carne à base de plantas e frutas. São alimentos orgânicos e não necessitam de muita tecnologia e desenvolvimento para serem fabricados em grande escala, cenário que faz com que esses alimentos não tenham um valor final para o consumidor muito elevado.

A concorrência indireta atua com inovações de mercado, sempre visando a inutilização de qualquer tipo de consumo de carnes animais. Um exemplo é a produção de peixeis e frutos do mar à base de plantas, tendo em vista que em um cenário mundial, quase 90% do estoque marinho está esgotado, totalmente explorado ou superexplorado, segundo a ONU, o que torna esse nicho de mercado muito interessante e com uma proporção ótima de crescimento. A The Vegetarian Butcher continua como exemplo também de concorrente indireto, já que pretende confeccionar todos os seus alimentos também em uma opção de fast food.

Os pontos fracos em relação as nossas concorrentes são os riscos que o mercado holandês de alimentos veganos podem sofrer em um médio prazo, isso por que o país já aderiu bem o consumo de alimentos e produtos veganos, portanto, sem um investimento alto em tecnologia em breve o mercado pode se tornar obsoleto.

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